quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Anjo

Anjo, por que fostes tão longe?
Rumo ao horizonte, infinito
Meus pés doem
E asas eu não possuo.

No no deserto procuro por ti
De minhas lágrimas
sofridas eu me alimento,
porque vida, este lugar perdeu.

Abraço minha sombra
protegendo-me falsamente
do frio.
A noite cai, as estrelas iluminam
meus olhos perderam a
esperança.

Ajude-me, Anjo
Prometo-te mais uma vez
que correrei ao seu lado
de mãos dadas e
sorriso nos lábios.

Perdoe-me por ser fraca
Anjo,
acolha-me em suas asas
estou com frio
neste lugar imundo
sem cor, sem teu amor.

Sozinha agora estou,
sem teus lábios,
sem tuas asas
para me carregar
sob as nuvens do céu
que acariciam nossa pele.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Você se lembra?

Você se lembra
do primeiro dia que nos vimos?
Meu óculos estava inteiro
e eu estava com aquele anel de aranha
eu estava com os cabelos pretos
com mechas vermelhas e roxas.
Seus cabelos estavam soltos
e bagunçados,
vestia sua calça larga cinza escuro.

Estava chovendo.
Você estava sempre ao meu lado,
falando o tempo todo.
Fomos no mercado,
comprar iogurte,
eu escutava música clássica
e sua voz entrava como um grito
de emoção.

Toquei seus cabelos
negros e macios
e senti uma dor,
no coração.
Essa dor aumentava 
conforme as horas passavam
e,
quando foi embora,
cai em mares de lágrimas.

Você lembra 
a primeira vez que fui em sua casa?
Ninguém foi me buscar na rodoviária,
e isso foi engraçado,
porque todos estavam juntos,
cantando.
Não me lembro de detalhes,
mas lembro que durmi com seu melhor amigo
e,
durante o dia, eu te seduzia
as escondidas,
e novamente voltava aos
braços do outro.

Eu era uma vadia.

Numa despedida de boa noite qualquer,
virei o rosto,
no instinto
e te beijei na boca - um mero selinho -,
lembro da sua reação engraçada,
mas nisso, já estava
nos braços do outro,
eu era uma putinha.

E novamente te seduzi,
dessa vez foi pra valer.
Eu estava com uma blusa qualquer
e um short brega,
lembro que alisava e arranhava
deliciosamente meu corpo
com suas unhas grandes e
sua mão delicada.
Massageava minha intimidade,
a degustava com os dedos,
e eu te beijava,
tarava seu membro
como uma felina no cio.

Até que um dia, 
fiz a pior coisa,
disse "eu te amo"
e você realmente acreditou,
me amava,
e eu acreditei no nosso amor,
no conto de fadas
dentro do inferno que era sua casa,
mas estava tudo bem, 
eu estava com você,
ou será que você estava comigo?

Abandonei minha mãe e minha casa,
morei com você,
casei com você,
e tudo era perfeito.

Era...

Desgraça

Sou apenas uma criança
que brinca em volta de coelinhos brancos
perfurados e abertos
com suas entranhas para fora.
Isso me assusta, porque quem os matou
foram Eles,
e isso me dá medo.
Apodrecendo à minha volta
é como vejo todos,
e estes são os culpados.

Meus sonhos já não são os mesmos.
A aventura agora é apenas
tragédia, medo, ódio, vingança.
E isso me dá medo
porque nada mais é verde
é tudo cinza com manchas vermelhas.
Eu não quero a destruição,
eu quero ao menos a alucinação
do absinto
para ver fadas verdes e os desgraçados
enforcados no Mouling Rouge.

Quero os coelinhos de volta
brancos como coca, selvagens como sexo.

Eu canto pelos cantos de minha mente
porque voz falta a quem não merece.

Deus tem misericórdia dos pecadores
não dos pecados.
Não posso fugir de algo que sou
7 é meu amor
e meus pecados.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010